17 maio

Deserto do Atacama: veja como planejar sua viagem

por Renata Monti
Deserto do Atacama, vista do Vale de la Luna com o vulcão Licancabur ao fundo. Foto de Bruno Barreto

Sempre ouvi falar do Deserto do Atacama, no Chile, e contava as horas para poder conhecê-lo. A oportunidade chegou em maio de 2015 e, sem pestanejar, embarquei. Pensava que seria um perrengue enorme, tanto pela altitude quanto pelo esforço físico nos passeios. Nada disso. Cada passo naquele lugar vale muito. E não há tantos perrengues assim. A imensidão, o silêncio, o céu radiante e as paisagens únicas fazem do Atacama um lugar especial no mundo. E tenho certeza de que as fotos do nosso profissa Bruno Barreto (@brunomsb) vão te convencer.

É importante lembrar que você estará no deserto. E, claro, lá tem poeira, é seco, há animais silvestres e muita natureza envolvida. Se você gosta de lugares urbanos, tem grandes chances de não curtir o deserto como deveria. Mas a minha dica é: relaxe, respire fundo aquele ar puro, e vá com roupas confortáveis, esportivas. As caminhadas não são tão longas quanto podem parecer.

As vicunhas na região do Salar de Tara / Foto de Bruno Barreto

Como chegar

Para chegar ao Deserto do Atacama, partindo do Rio, é preciso pegar um voo até Santiago. De lá, há conexões para Calama, uma cidadezinha que fica há uma hora de San Pedro de Atacama, a base para todos os passeios incríveis que você tem pela frente.  As passagens para Calama você consegue por duas companhias aéreas: a Lan ou Sky Airline.

A Reserva Nacional dos Flamingos, no Salar de Atacama / Foto de Bruno Barreto

O que todo mundo diz e se confirmou com a gente é que a Sky Airline tem preços bem mais camaradas. Entonces, fomos de Sky Airline. O único inconveniente é que as vendas são por e-mail, para quem usa cartão de crédito. Dê uma olhada no site deles (http://www.skyairline.cl), veja os horários mais convenientes para você e, em seguida, escreva um e-mail com os pedidos: ventasanf@skyairline.cl. Vão te responder em cerca de dois dias, confirmando se os bilhetes estão disponíveis naquele preço. Daí, é só passar o número do cartão e receber a confirmação.

Esse é o modelo do e-mail que usamos:

“Estimado Sr.,

Buenos días. Me gustaria de comprar un billiete en Sky Airlines poe esta via, dado que en su sitio web non es posible efectuar la reserva/compra desde el extranjero.

Siguen la fecha (data) e horário del vuelo.
Son 2 adultos. Brasileños. Nombre e número do passaporte.
Gracias.

O voo da Sky Airline

Sua viagem já será emocionante ao sobrevoar a Cordilheira dos Andes a caminho de Calama. São duas horas de voo e lá do alto você já vai sentindo o clima da aventura. Se conseguir reservar assento do lado direito, verá as montanhas com neve. E é bom evitar o meio do avião, para a asa não atrapalhar todo aquele visual. A paisagem é muito diferente de tudo o que vemos no Brasil. Montanhas pontiagudas que, de maio a setembro, tem neve no topo.

A Sky Airline foi pontual e nos surpreendeu pela qualidade dos serviço. Tivemos sorte, não pegamos turbulência, o que dizem ser comum ao sobrevoar a Cordilheira. Ah, o almoço servido foi honesto, eu diria.

A comida servida no voo da Sky Airline / Foto Bruno Barreto

O que fazer ao chegar em Calama

Calama é a porta de entrada para o Deserto do Atacama. Fica a 102 km de San Pedro. Se você não agendou com seu próprio hotel ou albergue um transfer até lá, é só desembarcar e no procurar no primeiro piso do aeroporto um balcão com empresas de transfer. Negociamos com a agência Licancabur, que nos cobrou 20 mil pesos ida e volta (em maio de 2015). O transporte é de van (muito confortável por sinal) e leva uma hora.

Existe também um e-mail só para isso: transfer@sanpedroatacama.com.

San Pedro de Atacama

O vilarejo de San Pedro de Atacama / Foto de Bruno Barreto

O vilarejo de San Pedro de Atacama é tombado pela Unesco e fica a 2.400 metros de altitude. Tem ruelas de chão batido, casinhas de barro, muitas agências de turismo, vira-latas aos montes, lojinhas de artesanato e restaurantes charmosos (para um deserto, é um luxo). Ao chegar lá, o primeiro passo é andar pela Rua Caracoles, sentir o cheiro de fogão à lenha e avistar o vulcão Licancabur ao fundo.

É um lugar simples e, ao mesmo tempo, muito rico culturalmente. Eu diria até mesmo cosmopolita. Por lá, você terá oportunidade de conversar com gente do mundo todo. Conhecemos um guia de Nova York, que passa temporadas lá e na Big Apple. Um turista da África do Sul. Uma guia da Holanda, que vive por seis meses no deserto… é incrível.

Como superar o mal de altitude

O chá de coca é servido nos restaurantes / Foto de Renata Monti

Ao desembarcar em Calama, algumas pessoas já sentem o mal de altitude. Mas o que é isso? É o efeito que o ar rarefeito (ou a falta de ar) tem sobre você. A cidade está a 2.400 metros acima do nível do mar. É comum sentir dores de cabeça, enjoo, falta de ar, tonteiras. Digo para vocês: eu e Bruno não sentimos logo de cara. Só após os passeios mais altos, que chegam a 4.200 metros, é que tivemos dores de cabeça. Coisa leve, gente! Deu para encarar tranquilamente.

Os guias locais recomendam desde a chegada tomar muita água, fazer refeições leves e não abusar das bebidas alcoólicas. Fizemos tudo à risca, e não sentimos nada nos primeiros dias. Na água, tinha gente que colocava uma rodela de limão. A folha da coca é recomendada em casos extremos. Você consegue comprá-la nas farmácias de lá e lojas de artesanato. Pode colocá-la no canto da boca e ir mastigando. Uma alternativa é o chá de coca, um pouco amargo, mas um santo remédio.

Ah, o Bruno comprou um alargador de nariz, em farmácia aqui no Brasil. E na bula diz que serve para aumentar a capacidade respiratória. Sinceramente, eu não usei. Mas ele disse que valeu à pena. E o engraçado é que o nariz fica largo mesmo.

Fica a dica

Antes de comprar a passagem, é importante verificar se você não tem algum problema de saúde. Cardíacos e pessoas com anemia falciforme precisam seguir orientações médicas.

*Publicado em 1 de Junho de 2015. Atualizado em maio de 2018.

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