12 jul

Tô frito! chega hoje às livrarias de todo o país

por Renata Monti

 

Eu e a crítica de gastronomia do Globo, Luciana Fróes, lançaremos hoje o “Tô frito! – Uma coletânea dos mais saborosos desastres na cozinha”, do selo Bicicleta Amarela, pela editora Rocco.  O livro é um apanhado de erros que acontecem nesse fascinante mundo da gastronomia, alguns bem-sucedidos, outros nem tanto, que foram parar nos cardápios dos melhores restaurantes brasileiros. Uma coletânea de histórias contadas em primeira pessoa por 20 chefs de destaque, em depoimentos às jornalistas Luciana Fróes e Renata Monti, que, sem qualquer pudor e com bastante humor – ressaltado nas ilustrações de Paulo Villela –, dividem as saias-justas que encaram todos os dias.

O livro está à venda nos sites da Amazon, Saraiva, Livraria da Cultura, e em lojas físicas de todo o Brasil.

Do leite esquecido ao relento que virou queijo à luta de Dom Pérignon para controlar as borbulhas que fermentavam na garrafa e acabavam estourando. E o que dizer do confeiteiro de Luís XIV que, ao bater muito além da conta o creme de nata com açúcar, deu origem ao chantilly? Na gastronomia brasileira, não é diferente e, vira e mexe, um erro – ou mais de um – vira um acerto.

Como o grão de risoto de Claude Troisgros, que, num descuido, foi parar numa frigideira com óleo quente e acabou virando o arroz-pipoca, incorporado ao cardápio do premiado Olympe. Alex Atala, Roberta Sudbrack, Morena Leite, José Hugo Celidônio são outros mestres da gastronomia nacional que abriram seu baú de histórias para contar os imprevistos, às vezes bem-sucedidos, outras nem tanto, a que qualquer um está sujeito quando se trata de cozinha. Um prato cheio de casos bem temperados, digestivos e divertidos

É também o caso da farofa baiana, de Robert Sudbrack. A farofa escura, de gosto amargo e textura única, foi fruto do ponto a mais em que ficou na panela. Presença de espírito é necessária quando um chef vê o que criou desmoronando à sua frente. No caso de Flávia Quaresma, literalmente, quando presenciou o recheio de sua torta derreter por causa do calor e o doce desmontar em pedaços em um jantar no qual tudo correra bem até então. Não pensou duas vezes: a batizou de Torta Terremoto. De desmontada, passou a desconstruída e foi o sucesso da noite. E se a culpa é do estagiário, o que dirá daquele que trabalhava com Felipe Bronze? Com a missão de reproduzir o sorvete de coco com nitrogênio líquido, criação do chef para o seu restaurante Oro, o jovem aprendiz trocou os ingredientes, fundindo o nitrogênio à maionese de ostras, outra criação de Bronze: estava criado o sorvete de ostras, que virou a entrada padrão de seu restaurante.

Além de desastres que viraram sucesso, o livro reúne contos e causos ligados ao mundo da gastronomia. O veterano José Hugo Celidônio, que além de chef é ótimo contador de histórias, jamais irá esquecer da vez em que, ao servir frango com cogumelos em papillote (com os cogumelos envoltos em papel-manteiga) viu o casal que pedira o prato devorar tudo! e se deliciar com o papel… Já o empresário do ramo de gastronomia e hotelaria Rogério Fasano quase fora preso ao “contrabandear” uma espécie de minialcachofras que trouxera de Veneza, tudo na vontade de inovar e apresentar novos produtos e sabores aos brasileiros. O que se percebe na leitura de Tô frito! é que, mais que obras do acaso, o sucesso está principalmente na habilidade de seus criadores em lidar com ele e transformar um desastre em uma grande e inesquecível delícia.

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